quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O “T” da questão

Ao destrinchar a sigla LGBTTT em Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Transgêneros, o autor de qualquer texto estaria cumprindo com seu papel de gramaticalmente correto, delimitando o assunto que aborda, mas com certeza não seria claro. Por que são três os T’s da sigla? Eles representam grupos necessariamente distintos? A verdade é que ainda hoje na era da modernidade e da aceitabilidade, muito do que é dito sobre os trans é errado, preconceituoso ou incompleto.


Cada vez que surge uma nova nomenclatura para uma categoria específica, como é o exemplo de crossdressing (aqueles que se vestem e se caracterizam da mesma forma que o sexo oposto sem deixarem de ser heterossexuais), fica mais difícil delimitar significados formais para designá-los.


Até hoje, a definição que mais se aproxima do cotidiano é a da travesti. São pessoas, geralmente homens, que não se sentem confortáveis com o gênero que , pelas normas socialmente aceitas, deviam seguir. Eles se comportam como sexo oposto, se vestem como tal, trocam seus nomes e querem ser tratados assim, respeitados por isso. Contudo, não se sentem infelizes com seu órgão sexual. 


Raika Bittencourt é a Miss Brasil Gay 2011




A travestilidade foi o tema central pesquisado pela antropóloga Maria Cecília Patrício em sua tese de doutorado. Baseada em seus estudos, Cecília afirma que transexuais são pessoas que nasceram com um sexo diferente do corpo biológico, não aceitando seu aprisionamento àquela condição. Diferentemente das travestis, com as transexuais é notado um incômodo com seu órgão sexual, chegando a ponto de ser insuportável: “O pênis da transexual pode chegar a atrofiar ou necrosar devido a falta de uso e de higiene. Elas não querem nem tocar no órgão, é como se fosse um aberração”, diz a pesquisadora.


Em relação aos transgêneros, Cecília explica que este conceito ainda é mais amplo e complexo que os outros. Aplica-se à transitoriedade de sexo e de gênero, algo que não se pode definir ou delimitar. Assim, tanto se adéqua aos travestis quanto aos transexuais, ou a qualquer um que nem se encaixe por completo no masculino, nem no feminino.


Raika Bittencourt investiu em si mesma para alcançar o bem estar que sempre almejou. Ela é enfermeira e tem 35 anos. Nasceu biologicamente homem, mas se sente satisfeita mesmo é em exercer a sua travestilidade. Em 2011 Raika foi a vencedora do Concurso de Miss Brasil Gay.

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Sonho realizado

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