Com ou sem cirurgia de afirmação sexual, pessoas que não se identificam com o próprio gênero lutam por uma nova vida.
Por Rafael Souza
Por Rafael Souza
A sociedade é cruel. Tudo aquilo que não se enquadra no padrão vigente é rejeitado e, se possível, catapultado para fora dela. Isso acontece em todas as esferas, da política à religião, passando pela questão racial até o status social. Obviamente, a condição sexual não podia ficar de fora.
Quem foge da normatividade heterossexual, seja homem ou mulher, é alvo fácil e direto de todos aqueles que têm dificuldades para aceitar as diferenças. Historicamente, a homossexualidade é rejeitada, mesmo com organização cada vez mais forte e que, aos poucos, tenta firmar seu espaço.
Em uma linha diferente, a transexualidade e a travestilidade encontram resistências ainda maiores. Mais expostos e inseridos em um processo ainda mais radical, transexuais e travestis possuem o sentimento de estranheza, distanciamento e preconceito, por parte da sociedade, ampliados.
A modelo transexual Aleika Barros, de 31 anos, é consciente das dificuldades existentes: “O Brasil é um dos três países com mais transexuais no mundo, mas ainda possui uma política excludente”, comenta. Modelo de sucesso, premiada diversas vezes, com títulos nacionais (Miss Brasil Transex) e até internacionais (Miss International Queen), Aleika é um exemplo bem sucedido de um mundo marcado pela obscuridade.
Miss Brasil Transex, Aleika Barros é militante pró direitos das transexuais
Aleika pode se considerar um caso raro entre tantos dramas Brasil afora, não que sua trajetória tenha sido fácil. A modelo teve o privilégio de contar com o apoio da família, o que é fundamental para o desenvolvimento pessoal de qualquer ser humano. A transex afirma que, na maioria das vezes, a perca total do apoio familiar no momento da afirmação sexual de uma pessoa, pode deteriorar todo o seu futuro.
O abandono familiar empurra muitos jovens para a prostituição, para o crime e até para a morte. Em alguns casos, histórias traumáticas se encontram e juntas se fortalecem: “Principalmente nas famílias de classe média baixa, as filhas trans não são aceitas. Elas têm que morar na rua, ou com outras trans. Em São Paulo, por exemplo, algumas casas abrigam vinte, trinta transexuais, formando uma nova família”, diz Aleika.
Toda polêmica em relação a aceitação social em relação a homossexualidade, transvestilidade e transexualidade se deve a um problema ligado a que essas identidades de gênero, assim como todas as outras, são uma condição, e não uma opção ou até mesmo doença, como setores mais conservadores da sociedade classificam. Mesmo vivendo bem e se considerando uma pessoa feliz, Aleika Barros diz que “desde pequena sou assim, nasci assim, isso não é uma escolha e nem influência, já que meus pais eram completamente heterossexuais.”
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